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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hibernação estudantil

Estamos a viver a fase em que o grupo que mamífero que mais de mamífero tem (mamas...) se fecha num cubículo pré-determinado durante o resto do ano para adormecer sobre uma extensa bibliografia. Estou obviamente a falar da juventude estudantil e da sua reclusão para os exames, e a eles me dirijo. Todos sabem que a rentabilidade desta actividade é bastante pobre, dada a hiperactividade de quem precisa de ver mamas num mínimo de três vezes por dia. O erro que todos fazem é o facto de acharem que o isolamento a uma divisão é suficiente para a atenção se virar para os livros técnicos que têm à vossa frente. Não é, e é incrível como não chegam a essa conclusão. É preciso encherem essa divisão de coisas desinteressantes, como cinema experimental francês, para diminuir o tamanho da já pequena divisão, para vos confinar ao espaço entre os vossos olhos e os livros.

Por exemplo, um erro básico é o protector da secretária ser um mapa mundo. Muitos dos estudantes acabam por sair de um dia de estudo de redes informáticas sem saber nada de redes informáticas, mas a saber todas as capitais de cada região indiana e com a mente corrompida com o desejo de ir apanhar doenças venéreas para lá.

Outro erro básico é ter formas arredondadas sensíveis ao toque, como bolas anti-stress. Suponho que não seja preciso dizer porquê. Quem as desenvolveu ainda deve estar para descobrir a sua verdadeira orientação sexual. Ou não.

Forrem as paredes com as fotografias dos orgasmos da Clara Pinto Correia. Mas atenção, a exposição prolongada a estas fotos pode tornar-vos homosexuais.(Devia haver um estudo sobre a incidência da homosexualidade masculina na sociedade portuguesa antes e depois da divulgação destas fotos)

Tudo o que faça barulho, incluindo moscas ou a vossa mãe, deve ser aniquilado (se a vossa mãe produzir refeições, este ponto pode ser ponderado). Chocalhos de bebés ou objectos semelhantes são dos maiores inimigos ao estudo também.

Todos os objectos que ressaltem – bolas, borrachas, elásticos – passíveis de entrarem num movimento cíclico infinito, devem estar ausentes.

Por fim, devem estar comprometidos com um desfecho abominável em caso de maus resultados. Estabeleçam, por exemplo, a presença obrigatória num concerto de Roberto Leal – compromisso assinado perante a presença de várias testemunhas neutras (uma boa oportunidade para juntar os vizinhos. Aproveitem para fazer um lanche e conversar sobre o tempo, e fazer troça do Sporting, antes da assinatura para criar um ambiente menos pesado).

Fica então a sugestão de quem devia estar com os olhos postos nos livros em vez de estar a escrever esta merda.

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